QUEDA DE CABELOS
Na hora do banho ou ao escovar os cabelos, a quantidade de fios que caem do couro cabeludo pode levar ao desespero. Será que esse desespero é justificado? Afinal, qual é a quantidade normal de fios que caem diariamente? Quais são os fatores que influenciam a queda dos cabelos?
Para responder a essas perguntas, primeiramente precisamos entender o ciclo biológico do cabelo. Este ciclo compreende 3 fases: anágena (crescimento), catágena (repouso) e telógena (queda).
No couro cabeludo, a fase de crescimento dura de 2 a 8 anos. A fase catágena é a mais curta (3 semanas) e corresponde ao momento em que o fio para de crescer e o folículo regride. Vem então a fase de queda, que dura cerca de 3 meses.
Cada folículo piloso está em uma fase do ciclo biológico. Se todos estivessem na mesma fase, ao final de cada ciclo haveria a queda de todos os fios e a pessoa ficaria sem cabelos, até o crescimento dos novos fios. Cerca de 85% dos folículos estão na fase anágena, menos de 1% está na fase catágena e 15% está na fase telógena.
Considerando que existem entre 100 e 150 mil folículos no couro cabeludo e que 10 a 15% estão na fase telógena por, aproximadamente, 100 dias, considera-se que é normal a queda de 100 cabelos por dia.
Existem diversas causas para a queda anormal de cabelos. As causas mais comuns de queda de cabelos são a calvície (alopecia androgenética), o eflúvio telógeno e a alopecia areata.
A alopecia androgenética tem influência hereditária e consiste na perda e no afinamento progressivo dos cabelos. Pode afetar tanto homens quanto mulheres. Esse tipo de alopecia sofre influência do hormônio masculino diidrotestosterona (DHT), que também é produzido pelo organismo feminino.
O eflúvio telógeno corresponde à ocorrência de uma porcentagem maior que a habitual de folículos pilosos na fase telógena (de queda), em decorrência de medicamentos, estresses ao organismo (estresse emocional, doenças febris, parto, hemorragias, dietas rigorosas, cirurgias), distúrbios da glândula tireoide, entre outras causas. Em geral, ocorre queda difusa 3 meses após o evento desencadeante e há recuperação em 6 meses após a correção do fator causal.
Na alopecia areata costumam se formar áreas de falha no couro cabeludo e na barba, no caso dos homens. Pode ocorrer queda de pelos de outras áreas do corpo.
Seja qual for a causa (as acima listadas ou outras, menos frequentes) o ideal é que paciente procure tratamento ainda no início. O médico irá avaliar o histórico da queda, os fatores que podem tê-la influenciado, e solicitará exames, conforme cada caso. Os tratamentos variam conforme a causa e a intensidade da queda, existindo medicamentos de uso tópico e oral e opções cirúrgicas para alguns casos.
Alguns cuidados para manter os cabelos saudáveis:
Lave com água morna ou fria, mas não com água quente. Além de ressecar o fio, a água quente tira toda a oleosidade do couro cabeludo, podendo causar inflamações.
Utilize produtos adequados ao seu tipo de cabelo.
O abuso de secadores, chapinhas, tinturas e permanentes podem danificar o cabelo. O uso correto e com freqüência adequada destas técnicas de embelezamento ajudam a não enfraquecer e a não danificar os fios, evitando a fratura dos fios.
Certos hábitos que podem levar a danos graves, chegando algumas vezes à queda dos cabelos. Usar o cabelo amarrado o tempo todo, por exemplo, pode levar à queda de cabelo (alopecia por tração).
Mantenha uma alimentação balanceada.
Gel, mousse, cremes para pentear não provocam a queda dos cabelos. Podem deixá-los mais ressecados ou mais oleosos, mas não interferem na queda.
Xampus são coadjuvantes no tratamento da queda capilar, não sendo possível reverter o quadro só com esse produto.
Na dermatite seborreica (caspa), podemos observar aumento da queda dos cabelos, sendo um quadro reversível. Os xampus auxiliam na manutenção do couro cabeludo limpo e com a oleosidade controlada, principalmente na presença da dermatite seborreica.
Orientações: Dra. Andrea Miyuki Yoshimura – Dermatologista