Quer saber como cuidar bem de sua pele e de seus cabelos? Confira abaixo as recomendações de especialistas.

O cigarro e o envelhecimento da pele

É fato conhecido das pessoas o efeito do tabagismo na saúde. O cigarro está relacionado à doença cardiovascular (infarto, ´derrame´ cerebral), osteoporose, enfisema pulmonar, câncer do pulmão, esôfago, bexiga e outros órgãos.

O cigarro contém mais de 4.000 substâncias tóxicas, 300 das quais são carcinógenas. A nicotina é a mais prejudicial. O fumo afeta, direta ou indiretamente, todos os órgãos do corpo.

Quais são os seus efeitos na pele?

Envelhecimento precoce e formação de rugas
O cigarro produz o envelhecimento, pois diminui a oxigenação da pele, além de agir através da lesão direta sobre as fibras elásticas e redução da síntese do colágeno.

Verifica-se que as fibras elásticas da derme em áreas fotoprotegidas (não expostas ao sol) de fumantes apresentam-se fragmentadas, de maneira semelhante ao dano provocado às fibras elásticas pela exposição solar.

Além disso, o cigarro é uma fonte importante de radicais livres e, portanto, fonte de dano aos tecidos. Os radicais livres são normalmente inativados por substâncias antioxidantes como o retinol, betacaroteno e tocoferol. No entanto, nos tabagistas, essas substâncias existem em menor quantidade, fazendo com que os radicais livres permaneçam mais tempo exercendo seus efeitos tóxicos.

Está na cara que você fuma...

Fumantes de longa data passam a exibir certas alterações cutâneas que permitem reconhecer, apenas pelo olhar, a condição de tabagista.

As rugas periorbitais (´pés de galinha´) e periorais (ao redor da boca) são caracteristicamente mais demarcadas e profundas. Estudos demonstram que pessoas que fumam há mais de 10 anos têm quase 5 vezes mais tendência ao desenvolvimento de rugas profundas que os não fumantes, independentemente da exposição solar.

São outras características cutâneas encontradas com freqüência nos fumantes: presença de comedões (´cravos´) grandes e abertos, proeminência dos contornos ósseos, pigmentação escurecida da gengiva, amarelamento dos dentes, descoloração amarelo-acastanhada do bigode nos homens, amarelamento das unhas, aspecto atrófico (definhada) e acinzentado da pele ou aspecto avermelhado e pletórico (exuberante) .

Cicatrização

O fumo diminui o fluxo sanguíneo da pele, diminui a atividade dos fibroblastos (Células do tecido conjuntivo) da derme e da resposta imunológica cutânea, todos fatores importantes no processo de cicatrização. Isso significa pior cicatrização e mais chances de complicações das feridas cirúrgicas e não cirúrgicas.

Câncer de pele
O carcinoma espinocelular é um dos tipos de câncer de pele mais freqüentes. Está relacionado também à exposição solar, mas o fumo constitui um fator de risco independente para a sua ocorrência.
O melanoma cutâneo é um tipo muito agressivo de câncer e tem evolução pior nos fumantes. O melanoma, nos tabagistas, está relacionado a doença inicial mais grave, maior freqüência de metástases e menor sobrevida.

Queda dos cabelos
O cigarro afeta a microvasculatura da papila do folículo piloso (a ´raiz´ do cabelo), causa dano ao seu DNA, desequilibra o ciclo de crescimento do cabelo e aumenta a liberação de substâncias que levam à inflamação e fibrose do folículo.

Exacerbação de doenças cutâneas
O fumo está relacionado à exacerbação de certas doenças da pele como a psoríase, o lúpus eritematoso sistêmico e o lupus eritematoso crônico discóide e interfere negativamente na eficácia das medicações utilizadas no tratamento dessas doenças.

As mulheres, a pele e o cigarro.
Em relação ao sexo, é conhecido na literatura o fato de que as mulheres são mais susceptíveis ao envelhecimento pelo tabagismo do que os homens. Isso seria devido à diminuição do hormônio feminino na pele causado pela nicotina. Apresentam, portanto todas as características do envelhecimento cutâneo descrito acima, mas de uma forma mais precoce e mais intensa. Outro fato observado está relacionado à quantidade de cigarros. Até o momento não foi possível estabelecer níveis de envelhecimento cutâneo relacionados com muitos ou poucos cigarros diários, embora vários pesquisadores relatem que, quanto mais se fuma, mais rápido e maior é o envelhecimento cutâneo.

Orientações: Dra. Andrea Miyuki Yoshimura - Dermatologista

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